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Meta amplia direito de rastreamento a sites de negócios que usam suas ferramentas

A partir de 30 de outubro, os novos Termos Comerciais da Meta autorizam a empresa a rastrear sites de empresas que utilizam seus produtos, inclusive para treinar IA, mesmo sem compra de anúncios.

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Meta amplia direito de rastreamento a sites de negócios que usam suas ferramentas

A Meta anunciou que, a partir de 30 de outubro, seus Termos Comerciais atualizados vão permitir que a empresa rastreie (crawl) sites vinculados a negócios que utilizam qualquer de seus produtos, e que o conteúdo coletado poderá ser usado para desenvolver, melhorar e treinar suas ferramentas de inteligência artificial.

Escopo da nova cláusula de rastreamento

A nova redação autoriza a Meta, ou quem agir em seu nome, a empregar scrapers, bots e outras ferramentas automatizadas para percorrer domínios e páginas associados aos produtos ou serviços de uma empresa. A permissão também cobre URLs disponibilizadas por meio do uso dos próprios produtos da Meta ou pelos usuários desses produtos. Além disso, a cláusula permite a criação de "credenciais de teste" para acessar essas páginas, ampliando a capacidade de coleta de dados.

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Diferença em relação aos termos anteriores

Até então, apenas os Termos de Anúncios da Meta concediam o direito de rastrear sites de anunciantes, vinculando o acesso ao ato de comprar espaço publicitário. Os novos Termos Comerciais estendem esse direito a qualquer uso comercial das plataformas Meta, incluindo a gestão de páginas no Facebook ou o uso do Meta Business Suite, mesmo que a empresa não invista em anúncios.

Os Termos de Autoatendimento de Anúncios, que também entram em vigor em 30 de outubro, incorporam a mesma permissão de rastreamento. Já os Termos Comerciais anteriores, datados de 6 de março de 2024, não continham nenhuma cláusula de rastreamento.

Reações e dúvidas jurídicas

Especialistas em direito de mídia e propriedade intelectual apontaram que a nova redação pode abrir espaço para que a Meta argumente ter permissão para coletar conteúdo de sites de notícias, embora a empresa tenha negado que a mudança vise "scraping" de publicações. O porta-voz Andy Stone, em resposta a um resumo publicado pelo Nieman Lab, afirmou que o objetivo é garantir informações precisas sobre produtos à venda para melhorar recomendações de anúncios e conteúdo, e não rastrear sites de notícias.

Advogados consultados pelo Nieman Lab sugerem que, caso a Meta tente usar a cláusula para justificar a coleta de conteúdo jornalístico, os editores deverão assumir que a empresa pode alegar permissão contratual. O professor James Grimmelmann, da Cornell University, ressaltou que as "credenciais de teste" poderiam, em teoria, permitir que a Meta se registre como usuário fictício para contornar barreiras de registro.

Embora a Meta indique que os proprietários de conteúdo ainda podem controlar o acesso por meio de arquivos robots.txt, nem os novos Termos Comerciais nem os de Autoatendimento mencionam explicitamente esse mecanismo. Documentação da Meta indica que alguns crawlers, como o Meta-ExternalAgent, podem ignorar o robots.txt quando acionados por solicitação de usuário.

O que isso muda para o seu negócio

Para pequenas e médias empresas brasileiras que utilizam o Facebook, Instagram ou o Meta Business Suite, a mudança traz a necessidade de revisar a política de robots.txt do site. Se o objetivo for impedir que a Meta colete informações para treinamento de IA, é possível bloquear os crawlers específicos (por exemplo, Meta-ExternalAgent) enquanto permite outros que podem gerar pré‑visualizações de links.

  • Audite seus URLs: verifique quais páginas são expostas por meio das ferramentas Meta e avalie se há conteúdo sensível que não deve ser usado para treinamento de IA.
  • Atualize o robots.txt: inclua regras que restrinjam os crawlers da Meta que você não deseja que acessem seu site, lembrando que a eficácia depende de a própria Meta respeitar o arquivo.
  • Considere a estratégia de anúncios: caso a empresa não queira que seu catálogo de produtos seja usado para treinamento, pode optar por interromper o uso das plataformas Meta para fins comerciais antes de 30 de outubro.
  • Monitore as políticas: a Meta pode ajustar suas práticas de rastreamento ou lançar novas diretrizes; manter-se informado evita surpresas legais ou de privacidade.

Em resumo, a atualização dos Termos Comerciais da Meta amplia o alcance de coleta de dados da empresa, mas também oferece às organizações a oportunidade de gerenciar como seus sites são acessados, ajustando configurações técnicas e avaliando a continuidade do uso das ferramentas Meta em suas estratégias de marketing digital.

Fonte: Search Engine Journal

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