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App de mensagens descentralizado Bitchat é retirado das lojas na Índia após ordem governamental

O aplicativo Bitchat, criado por Jack Dorsey, foi removido das lojas da Apple e Google na Índia após ordem baseada na Seção 69A da Lei de Tecnologia da Informação.

3 min de leitura
App de mensagens descentralizado Bitchat é retirado das lojas na Índia após ordem governamental

O aplicativo de mensagens descentralizado Bitchat, desenvolvido por Jack Dorsey, desapareceu das lojas da Apple e do Google no mercado indiano depois que o governo emitiu uma ordem de bloqueio.

Contexto da decisão

Segundo comunicado postado por Dorsey no X, a ordem veio da Ministração de Eletrônica e Tecnologia da Informação da Índia, que a fundamentou na Seção 69A da Lei de Tecnologia da Informação – a norma que permite bloqueios online quando o conteúdo é considerado ilícito. A notificação da Apple indica que o aplicativo permanecerá disponível nas lojas fora da Índia, mas que o acesso ao serviço de testes beta TestFlight também será impedido no país.

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Impacto nas plataformas

Além da remoção da App Store, o Bitchat não está mais disponível para download na Google Play India, conforme verificado no sábado. O site oficial do aplicativo também ficou inacessível em diversos provedores de internet locais. Não ficou claro se o Google e os provedores receberam instruções semelhantes, pois as empresas não responderam aos pedidos de comentário.

Motivações do governo

Em julho de 2026, autoridades indianas já haviam exigido que o GitHub retirasse repositórios ligados ao Bitchat, alegando que a arquitetura baseada em rede mesh Bluetooth dificultava a interceptação e o rastreamento das comunicações, sobretudo durante apagões de internet. Essa medida utilizou um dispositivo legal diferente da Seção 69A, focado na responsabilidade de intermediários por conteúdo de terceiros. A nova ordem, porém, recorre explicitamente à Seção 69A, que costuma ser aplicada a informações consideradas ilegais, não a aplicativos de mensageria.

Reação e debate

A Internet Freedom Foundation, organização de defesa dos direitos digitais em Nova Délhi, classificou a medida como inconstitucional, argumentando que a lei permite bloquear informações ilícitas, mas não um aplicativo que funciona durante cortes de rede. O debate surge num momento de intensas manifestações juvenis contra alterações nos registros eleitorais, nas quais a polícia chegou a suspender o acesso à internet por 12 horas em áreas próximas ao Jantar Mantar. Durante esses protestos, usuários recorreram ao Bitchat e ao concorrente Briar para contornar a falta de conexão. Dados da Sensor Tower mostraram que, entre 17 e 23 de julho, a Índia representou cerca de 85 % dos downloads globais do Bitchat, um salto significativo em relação ao 1 % registrado nos 30 dias anteriores.

O que isso muda para o seu negócio

Para pequenas e médias empresas brasileiras que dependem de aplicativos de comunicação instantânea, a remoção do Bitchat na Índia evidencia o risco de depender de ferramentas que podem ser bloqueadas por decisões regulatórias. Mesmo que o Bitchat ainda esteja disponível no Brasil, a situação indica a importância de manter canais de contato diversificados – como WhatsApp Business, Telegram ou soluções de e‑mail corporativo – para garantir que a comunicação com clientes e parceiros não seja interrompida por questões externas.

Além disso, a capacidade do Bitchat de operar sem conexão à internet pode ser atraente para negócios que atuam em regiões com infraestrutura de rede limitada. Contudo, antes de adotar tecnologias descentralizadas, é recomendável avaliar a conformidade com a legislação local e as políticas de privacidade, já que autoridades podem exigir acesso a dados ou bloquear o serviço caso considerem que ele dificulta investigações.

Empresas que já utilizam o Bitchat ou estão considerando sua implementação devem monitorar atualizações regulatórias e manter um plano de contingência, como a migração rápida para plataformas alternativas caso ocorram restrições semelhantes. Essa postura preventiva ajuda a preservar a continuidade operacional e a reputação da marca, sem depender exclusivamente de um único canal de comunicação.

Fonte: TechCrunch

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